O perigo por vezes bate a nossa porta e nós não nos damos conta pensamos que connosco, não pode acontecer, julgamos-mos invencíveis, ignoramos todos os sinais , todas as pistas, eu na verdade fingi ignora-las para não assumir o prazer que estava a sentir por estar próxima do abismo. A minha vontade de saltar foi maior do que a razão. Mais um passo e estarei em queda livre , só eu posso tomar a decisão de recuar ainda estou a tempo de o fazer, fecho os olhos antes de decidir se avanço , mas aproximo-me ainda mais do prazer mórbido de me atirar á escuridão do abismo. O último passo foi algo instintivo nem eu própria consigo explicar a razão a dizer que não mas o corpo avançou indiferente, o desejo foi tão forte que não me deixou parar. Agora flutuo nos braços de um rapaz, não foi ele que me trouxe ate aqui e nem o medo de me arrepender me impediu de saltar, quero apenas viver este momento que não será nada mais que isso mesmo um breve momento ao lado de alguém que não tem nome e que nunca terá. O desejo, a paixão e o sexo podem fazer parte de um caminho tão perigoso, muitas vezes levam-nos a esse destino, mas não posso principalmente não quero avançar nesta direção. Tão próximo, tão intimo e continua a ser um amigo ele é o que eu imagino mas as pessoas nunca são o que imaginamos e é justamente isso que o faz ter junto a mim, imagina-lo de uma maneira diferente do que ele realmente é. Sei que o encontro dos nossos corpos será breve, entrego-me sem pudor, sem medo, sem pressa de antecipar o fim desta loucura, agora estamos juntos mas ate quando? Ate que algo nos faça parar! Enquanto isso vou alimentando a ideia de que o mundo parou de girar. Novamente a sensação do abismo e de uma brisa leve que trespassa o meu corpo, o tempo agora parece estar com pressa de passar, começo a sentir saudades da lentidão das horas, mas não me resta mais nada se não aceitar a proximidade do fim. Sinto-me como se o ar já me faltasse, talvez seja uma sensação de dor ou de alívio. Cheguei ao fim sem arrependimento e ao mesmo tempo com o desejo de voltar a faze-lo. Quando mentimos procuramos desesperadamente uma solução para a nossa loucura mas o tempo voa, a rapidez é fundamental para não sermos descobertos, acabamos por ficar sem tempo para nos arrepender. Novamente o perigo espreita, bate instantemente a minha porta, agora mais do que nunca não posso permitir que avance na minha direção. Quando escondemos uma parte da verdade tudo o que dizemos esta mais próximo da mentira. O desejo levou-me a loucura, ao encontro do abismo, há muito tempo que não consigo dormir tão bem uma imagem recorrente insiste em afastar-me do sono, aquela luz da lua , o teu corpo reconhece o meu … mas lembro-me dele, ele que agora é um corpo sem movimento. Para sempre eterno. H *
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