Lembram-se quando eramos pequenos e mordíamos um miúdo no recreio acidentalmente? Os professores obrigavam-nos a pedir desculpa e nos pedíamos, mas não era sentido porque o miúdo estúpido que mordêramos merecia, mas a medida que ficamos mais adultos, corrigir erros torna-se difícil. Quando os dias de recreio acabam, as desculpas têm de ser sentidas. Claro que, quando nos tornamos responsáveis, “desculpa” nem sempre é uma palavra feliz, ou significa que acabou e não podemos ajudar, ou significa que vamos magoar alguém a serio. Não podemos mentir, quando se trata de desculpas, mesmo que achem que estou errada, que não compreendam, que me achem louca, sou assim, têm de me aceitar, de me apoiar, de me amar. Não é justo mentir. Ignoramos essa responsabilidade, eramos indefesos, eramos crianças inteligentes e divertidas e só queríamos defender-nos, pedir desculpa não fazia sentido. Como seres humanos responsáveis, não podemos desfazer os nossos erros e raramente nos perdoamos por eles, mas “são ossos do ofício” mas, enquanto adultos, podemos sempre tentar fazer melhor, ser melhores, corrigir um erro mesmo que pareça irreversível, claro que um pedido de desculpas nem sempre chega, se calhar porque o usamos de tantas maneiras, como “arma”, como desculpa… mas quando lamentamos mesmo, quando usamos a palavra e ela é sentida, quando os nossos atos dizem o que as palavras nunca conseguem… quando acertamos, “desculpa” é perfeito. Quando acertamos, “desculpa” é uma redenção.
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